O estado e as novas façanhas

Anderson Trautman Cardoso
Zero Hora
13/11/2018

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra” é o trecho do Hino rio-Grandense que mais se sujeita a críticas. Longe de pretender responder se adequadas ou não, o tema merece algumas reflexões. Primeiro, deve-se considerar o contexto histórico. Escrito sob o entusiasmo da Revolução Farroupilha, o texto reflete a empolgação dos gaúchos com o movimento, encerado com a assinatura do Tratado de Ponche Verde, no atual município de Dom Pedrito, em 1845.

Veja-se que, se por um lado se considera que a República Rio-Grandense (os revoltosos foram reconhecidos como “republicanos” no documento, embora o Brasil ainda vivesse numa monarquia) foi submetida aos termos do tratado, essa mesma República submeteu todo um império ao atendimento de suas condições, sem o que não se conseguiu subjugar os revoltos gaúchos.

Segundo, deve-se recordar as justas causas da revolução. Sem adentrar em questionamentos históricos, é consenso, pelo menos, que o movimento decorre da irresignação com a alta tributação e com a falta de autonomia da província, pautando-se, ainda que de forma limitada, por ideais liberais que resultaram na proclamação de uma República dentro do império em 11 de setembro de 1836, contribuindo para o movimento que veio a redundar na Proclamação da República do Brasil, em 1889. Como Disse Giuseppe Garibaldi em suas memórias, trata-se de “feitos assombrosos” realizados por “viril e destemida gente”.

Pois bem, hoje vemos nosso Estado diante de outro desafio: uma profunda crise financeira. Embora se trate de uma crise atinente ao setor público, sua superação somente ocorrerá com a contribuição do setor provado, por meio do desenvolvimento econômico. Para tanto, é fundamental que o governador eleito no último dia 28 de outubro, além de aprimorar a qualidade da gestão pública, incentive a inovação, reduza a burocracia e os custos de transação, possibilitando a ampliação da produtividade de nossas empresas e a criação de um ambiente atrativo a novos investimentos. E, se faltam façanhas no passado, que nos dediquemos à realização de novas, pois, como bem recorda nosso hino, “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”.