Radar Regulatório • Apostas de Quota Fixa (Edição 02)

Radar Regulatório • Apostas de Quota Fixa (Edição 02)

Semana de 1 a 5 de junho de 2026

A semana teve os bastidores da regulação no centro das atenções. A SPA convocou uma audiência pública para definir as regras dos fornecedores de serviços, o Congresso avançou no cerco financeiro ao mercado ilegal e na pressão para restringir a publicidade do setor, e o país ajustou as regras de apostas para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Abaixo, os pontos que merecem a sua atenção.

Lei da Copa Feminina abre regime especial para bets durante a FIFA 2027

A Lei Geral da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 foi sancionada na semana passada e traz três artigos diretamente relevantes para o setor regulado. Em síntese: a FIFA, seus parceiros comerciais e empresas contratadas poderão ser autorizados pelo Ministério da Fazenda a operar apostas de quota fixa relacionadas ao evento, por procedimento mais rápido. A Fazenda tem 90 dias para publicar a norma específica desse rito acelerado.

A novidade mais polêmica é a possibilidade de marcas de operadores sem autorização brasileira patrocinarem o evento e divulgarem suas marcas no país durante a Copa, desde que não ofereçam apostas a brasileiros. A FIFA precisará exigir, em contrato, que esses patrocinadores adotem medidas eficazes para impedir o acesso de cidadãos no Brasil às suas plataformas. A regra geral da Lei das Bets que vedava esse tipo de patrocínio fica afastada — apenas para os jogos oficiais da competição.

A lei também afasta restrições à publicidade de bebidas alcoólicas durante os eventos oficiais, e revoga a medida provisória que regia o tema desde janeiro. Um dispositivo que excluía a Lei Geral do Esporte foi vetado pelo presidente, mantendo o regime brasileiro de integridade esportiva aplicável à competição.

O que isso significa: operadores autorizados precisam mapear, já agora, se seu grupo econômico tem ou pretende ter patrocínio FIFA — a janela de manifestação no procedimento acelerado se encerra no fim de agosto. Quem é patrocinador global e não tem licença brasileira ganha rota expressa. Quem é licenciado no Brasil e não é patrocinador pode ver pressão competitiva no segundo semestre de 2027.

SPA convoca audiência pública sobre fornecedores de serviços

A SPA publicou no Diário Oficial, na quarta-feira, a convocação de uma audiência pública sobre os fornecedores de serviços às casas de apostas. O encontro será híbrido (presencial e on-line) no dia 25 de junho, podendo se estender ao dia 26. A ideia é ouvir o setor antes de editar uma portaria que vai criar um “reconhecimento” de fornecedores: pela proposta, só quem for reconhecido pela SPA poderá ser contratado pelos operadores autorizados. As inscrições seguem abertas até 24 de junho, pela plataforma Brasil Participativo.

O que isso significa: se a sua empresa fornece tecnologia, meios de pagamento ou outros serviços a operadores, vale acompanhar de perto — em breve deve existir uma “porta de entrada” formal para vender ao mercado regulado. Participar da audiência é a chance de influenciar os critérios antes que virem norma.

Câmara avança no cerco financeiro ao mercado ilegal

Ganhou força nesta semana um projeto de lei que cria um marco de combate às apostas clandestinas, aprovado em comissão da Câmara. O texto amplia a responsabilidade de bancos, fintechs e processadoras de pagamento: elas passariam a ter de identificar e bloquear transações ligadas a plataformas não autorizadas e a publicar relatórios mensais sobre esses controles. O projeto também reforça o papel da Anatel no bloqueio de sites ilegais e proíbe apostas em competições de categorias de base. Ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ir ao plenário.

O que isso significa: a tendência é apertar o cerco ao mercado ilegal pelo lado do dinheiro. Para operadores regulados, é um movimento favorável à concorrência. Para fintechs e instituições de pagamento, pode significar novas obrigações de monitoramento e reporte — vale começar a mapear processos desde já, mesmo antes de o texto virar lei.

Cresce no Congresso a pressão para proibir a publicidade de bets

Ganhou força no fim de maio uma articulação suprapartidária batizada de “Brasil Contra as Bets”. Uma frente parlamentar apresentou projetos gêmeos na Câmara e no Senado para proibir, de forma ampla, a propaganda e o patrocínio de apostas — em TV, rádio, internet, redes sociais, streaming, outdoors, uniformes esportivos e eventos culturais. O Senado já começou a analisar o texto. A pauta reúne parlamentares de campos políticos opostos, o que aumenta seu peso.

O que isso significa: se for adiante, seria a mudança de maior impacto comercial para o setor — atinge diretamente operadores, anunciantes, clubes e veículos. Ainda é início de tramitação, e há um longo caminho até virar lei; mas o tom suprapartidário sinaliza que o tema da publicidade veio para ficar. Vale revisar desde já a exposição de mídia e os contratos de patrocínio, e acompanhar de perto.

Olhar para a semana que vem

  • As novas regras de apostas da Lei da Copa Feminina entram em vigor em 24 de junho.
  • Seguem abertas, até 24 de junho, as inscrições para a audiência pública da SPA sobre fornecedores (audiência em 25/26 de junho).
  • O marco de combate ao mercado ilegal segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
  • Os projetos “Brasil Contra as Bets” (proibição de publicidade) começam a tramitar no Senado e na Câmara — acompanhar designação de relator e comissões.
  • A Copa do Mundo começa em 11 de junho, com reflexo direto no volume de apostas e na exposição publicitária do setor.

Nossa equipe está à disposição para discutir os impactos de qualquer um destes temas no seu negócio.

Este material tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. As análises refletem o entendimento da equipe na data de publicação e podem ser revistas conforme evolução normativa ou jurisprudencial. Para orientação específica sobre situações concretas, consulte um advogado da equipe. © Souto, Correa Advogados — Prática de Regulação de Apostas.

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