Radar Regulatório | Jogos & Apostas – Ed. 13
Semana de 17 a 21 de agosto de 2026
A semana continuou tensa. A fiscalização federal ampliou a onda de suspensões, agora atingindo mais operadoras e marcas, enquanto estados e cidades avançaram em restrições à publicidade – e a Procuradoria Geral da República pediu ao Supremo para derrubar uma lei estadual. No Congresso, os projetos que apertam o setor não param de se acumular. Abaixo, os pontos que merecem sua atenção.
A onda de suspensões da fiscalização federal se amplia
O que na semana passada tinha atingido uma grande marca do mercado se espalhou. A fiscalização da Fazenda aplicou medidas cautelares de suspensão imediata a um grupo maior de operadoras, somando mais de uma dezena de marcas paradas de uma só vez. Os motivos se repetem e formam um padrão claro: falha no envio de informações ao sistema de fiscalização do governo e, em um dos casos, não comprovação de quem de fato controla a empresa. Enquanto as medidas valem, os sites ficam disponíveis apenas para saque, as apostas em curso são canceladas e devolvidas, e há multa diária pesada por descumprimento.
O que isso significa: O recado é sobre compliance de dados e de estrutura societária, não sobre finanças. O ponto mais sensível é o envio de informações ao sistema do governo: transmitir não basta, é preciso que o dado seja efetivamente recebido e processado. Vale checar, na sua operação, se os envios ao sistema de fiscalização estão sendo confirmados de fato e se a cadeia de controle da empresa está documentada e comprovável. Um envio que o regulador não consegue processar, para ele, é como se não tivesse ocorrido.
No Congresso, os projetos que apertam o setor se acumulam
A semana teve intensa movimentação legislativa federal. Um projeto que quer proibir totalmente as apostas foi distribuído às comissões e aguarda relator. Outro, que veda a propaganda comercial de bets, seguiu o mesmo caminho. Em paralelo, encerraram-se os prazos de emendas de dois projetos que já preocupam o mercado: um que institui limite mensal de depósitos e outro voltado à proteção da saúde mental e da economia familiar do apostador – ambos agora seguem para o relator. Há ainda propostas de nova taxa sobre a arrecadação e de criação de um cadastro nacional de autoexclusão.
O que isso significa: Nenhum desses projetos muda algo hoje, mas o volume é o recado. São várias frentes simultâneas – proibição total, restrição de publicidade, limite de depósitos, nova tributação – e o clima político da semana tende a dar fôlego a elas. O momento de influenciar o texto é agora, na fase de emendas e antes da escolha dos relatores. Vale mapear quais desses projetos tocam diretamente o seu modelo de operação e preparar posição.
Minas proíbe publicidade de bets em espaços públicos
O governo de Minas Gerais publicou um decreto, já em vigor, que proíbe publicidade, propaganda e patrocínio de apostas em bens e espaços do estado – incluindo estádios públicos como o Mineirão, rodoviárias, aeroportos e rodovias estaduais. As concessionárias foram notificadas a encerrar contratos com casas de aposta, e a loteria estadual foi orientada a rescindir contrato ligado ao setor. O governo estadual sinalizou ainda que vai estimular as prefeituras a adotar medidas semelhantes nos espaços sob seu comando. Na mesma linha, na cidade de São Paulo, projetos que restringem a publicidade de bets avançaram nas comissões e se aproximam da votação final.
O que isso significa: É a materialização, agora por ato do Executivo estadual e não só por projeto de lei, da onda de restrição à publicidade nas esferas locais. O efeito prático é direto sobre contratos de patrocínio, mídia em arenas e acordos com loterias estaduais. Se a sua operação tem exposição a espaços públicos ou a patrocínios em Minas – e, em breve, em outras praças –, vale revisar esses contratos e prever cláusulas para cenários de restrição local. O tema tende a se espalhar.
PGR vai ao STF contra lei estadual de publicidade
A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo que suspenda uma lei estadual do Rio Grande do Sul que restringe a publicidade de apostas. O argumento é o de sempre nesse debate: só a União poderia legislar sobre o assunto, de modo que a lei estadual invadiria competência federal. É um pedido, ainda sem decisão do tribunal. A lei gaúcha, aliás, tem sua aplicação plena prevista para o fim de agosto, o que dá urgência ao tema.
O que isso significa: Aqui está o outro lado da moeda da restrição local: enquanto estados e cidades avançam, o poder central reage no Supremo para preservar a regra federal. A disputa de fundo – quem pode legislar sobre publicidade de bets – deve começar a ser resolvida nesse tipo de ação. Para o mercado, um eventual aval do STF à tese da União enfraqueceria as leis locais restritivas; o contrário abriria espaço para um mosaico de regras estaduais e municipais. Vale acompanhar de perto: é o mesmo debate que afeta Minas, São Paulo e as demais praças.
Dados oficiais alimentam a pressão por mais regras
A Fazenda divulgou números do mercado regulado que rapidamente entraram no debate da semana. Além do crescimento da arrecadação bruta do setor, chamou atenção um dado de conformidade: em 2025, a receita das casas teria equivalido a cerca de 16,7% dos depósitos, acima do teto legal de 15%. Os números apareceram no mesmo momento em que tramitam propostas de nova taxação e de restrições.
O que isso significa: Números oficiais, em ano de pressão política, viram munição para novos projetos de imposto e de limite. O dado do teto é o mais sensível do ponto de vista de compliance: é um parâmetro que o regulador pode passar a cobrar caso a caso. Vale conferir como a sua operação se posiciona em relação a esse limite e ter a metodologia de cálculo bem documentada, porque a leitura oficial desse indicador tende a ganhar peso.
Olhar para as próximas semanas
- A lei estadual de publicidade do Rio Grande do Sul tem aplicação plena prevista para o fim de agosto – e está sob questionamento no STF.
- Consulta pública da Fazenda sobre as regras de autorização segue aberta, com prazo estimado para o início de setembro – janela para contribuir.
- O conjunto de ações que questionam a Lei das Bets no STF permanece à espera de pauta no segundo semestre.
- Na cidade de São Paulo, os projetos de restrição à publicidade caminham para votação em plenário.
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